segunda-feira, 2 de maio de 2016

MEUS ALFINETES


























Alguém já foi convidado a passar 1 hora inteirinha, levando choques e agulhadas? E ainda por cima, por uma boa causa? A médica sorridente, tentando ser simpática para aliviar seu desconforto? Melhor seria uma médica bem antipática que a gente pode amaldiçoar sem remorso... mas não, a vida insiste em te irritar e te manda uma médica gentil e cuidadosa que avisa: 
- o próximo é um pouco mais doloroso...
E você fica lá se desesperando, enquanto ela arruma as agulhinhas...
Na falta de algo melhor pra fazer e impossibilitada de fugir, fiquei pensando nas agulhadas que recebi da vida... os momentos em que me senti uma almofadinha de alfinetes... aqueles com cabecinhas coloridas que a mãe enfiava no braço, no dia de fazer barra de calça.
A adolescência foi um momento desses... sem mais nem menos sua melhor amiga fazia um comentário extremamente maldoso, com inveja do seu vestido novo, ou porque o menino que ela achava lindo te disse "oi", pronto, bastava para uma agulhada no seu coração ou na sua autoestima... Uma dorzinha que doía dias... 
Escritórios também costumam nos presentear com este tipo de incômodo ou de gente incômoda, melhor dizendo, normalmente incompetentes que ao invés de produzir se dedicam a derrubar a produção de quem tem competência... muito comum e muito chato, mas daí estamos mais velhas e lidamos melhor...
Agora, cair numa piscina de alfinetes como esta em que caímos agora, realmente, só fazendo curso de faquir... não há quem aguente tanto tititi todo dia, tanta fofoca, tanta cusparada, cocô e xixi? Sucumbi... cansei... fui... Nosso país está parecendo um pátio de recreio cheio de crianças irresponsáveis e mal-educadas...só ameaçando com injeção no bumbum!

sexta-feira, 8 de abril de 2016

RECEITAS DA ÉPOCA


Norman Rockwell

Houve um tempo em que me protegi ignorando as notícias: minha filha era pequena e, trabalhando muito, meu tempo excedente era todo dela, não queria derrubar meu astral com avalanches de informações que sabíamos meio douradas, não vou dizer por quem. Nesta época aprimorei minha cara de paisagem, tipo Glória Pires  - espero que com mais convicção. Ignorei o mundo.

 

Hoje não dá mais para ignorar, não há um dia sequer sem uma notícia horrorosa, uma nova manobra, uma nova falcatrua… mais vítimas do sistema de saúde, da Previdência ou do desemprego… Tá difícil, tá tão difícil que estamos nos sentindo paralisadas, neste momento somos um retrato do Brasil… mas como brasileiras que somos, confiantes de que processo doloroso que vivemos certamente fará o país melhor, mais justo e mais honesto, vamos publicar as RECEITAS DA ÉPOCA, na esperança de que a piada deixe de fazer sentido algum dia.

PEPINO AGRIDOCE
  - SUMONOMO -

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2 xíc. de pepino japonês fatiado
100ml de vinagre de arroz
25ml de sakê mirim
100g de açúcar refinado
1 col. café de sal
Gergelim claro ou escuro à gosto.


Coloque o pepino fatiado em uma vasilha e salgue o suficiente para desidratá-lo. Deixe em repouso por aproximadamente 5 minutos.
Ferva em fogo baixo, por cinco minutos o vinagre, sakê, açúcar e sal. Lembre-se de não usar panela de alumínio para isto. O caldo vai adquirir uma cor dourada clara.
Passe o pepino para um pano limpo e torça para retirar toda a água que se acumulou.
Devolva o pepino para a vasilha, despeje o caldo frio e salpique o gergelim. Prontinho!
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FALSO SOUFFLÊ de ABOBRINHA

3 abobrinhas grandes
3 ovos inteiros
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1 xíc. chá de farinha de trigo
1/2 xíc. chá de óleo
1 cebola pequena bem picada
1 dente de alho
1/2 xic. chá de queijo parmesão ralado
sal a gosto
salsinha e cebolinha picadas a gosto
1 colher de sopa de fermento em pó

Separe 1 col. de sopa do queijo ralado. Em uma tigela rale as abobrinhas em ralo grosso. Acrescente os ovos, a farinha de trigo, o óleo e o sal. Misture bem. Incorpore o orégano, o queijo ralado e o fermento em pó. Salpique a col. sopa de queijo parmesão que foi reservada. Leve ao forno quente em forma untada e enfarinhada. Asse até ficar dourada.

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Caso você prefira fazer o soufflé “comme il faut”, suprima o fermento e incorpore as claras em neve no final, sempre mexendo delicadamentede cima para baixo, para não destruir as bolinhas de ar. Lembre-se que precisa ser servido imediatamente, porque murcha. Ah! E cresce bastante, use uma forma adequada para soufflé. 

Que tal acompanhar suas refeições com um delicioso suco de ABACAXI?
pizza romeu e julietaOu finalizar 
Com uma PIZZA de sobremesa?




Próxima semana que daremos as receitas…

 Ânimo moçada, como dizia minha avó:
"Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe!"                    










sexta-feira, 1 de abril de 2016

OBRIGADA, FILHO!

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Hoje acordei meio assim assim, pensando no que disse meu filho ontem:
- Preciso fazer uma entrevista com alguém "velho"...
 Na hora gelei! Afinal ele tem onze anos e eu cincoenta e sete, mas logo emendou:
- Vou entrevistar minha avó (oitenta e sete)... ufa!
Fui tocando a manhã, pensando no assunto, quando deparei com esse artigo, do qual selecionei alguns trechos para vocês:

"IDOSO é a pessoa que tem muita idade;
velha é a pessoa que perdeu a jovialidade.
A idade causa degeneração das células; 
a velhice causa degeneração do Espírito. 
Por isso nem todo IDOSO é velho
e há velho que nem chegou a ser IDOSO.
[... ]Você é IDOSO quando pergunta se vale a pena,
e é velho, quando sem pensar responde que não.
[...] Você é IDOSO quando sonha,
é velho quando apenas dorme.
[...] Você é IDOSO quando ainda aprende,
é velho quando já nem ensina.
[...] Você é IDOSO quando hoje é o primeiro dia do resto de sua vida;
é velho quando todos os dias parecem o último da longa jornada.
[...] O IDOSO tem planos,
o velho tem saudades...
[...] O IDOSO se moderniza, dialoga com a juventude,
[...] o velho se emperra em seu tempo.
[...] As rugas do IDOSO são bonitas porque foram marcada pelo sorriso;
as rugas do velho são feias, porque foram vencidas pela
amargura.
Em suma, o IDOSO e o velho são duas pessoas que até podem ter, no cartório, a mesma idade cronológica, 
mas o que tem mesmo são idades diferentes no coração."

HOJE DESCOBRI QUE SOU IDOSA!!! Obrigada filho!!!

Vale a pena ler na íntegra esse belo texto,
Artigo vencedor do "I Concurso Literário para Terceira Idade" e patrocinado pela Universidade do Estado de Santa Catarina,
Fundação Viva Vida, Conselho Nacional do IDOSO e que está publicado no livro: "Poesias, Contos e Crônicas" editado pela UDESC - Florianopolis - 1996

http://www.portaldoenvelhecimento.org.br/acervo/cronicas/cronicas5.htm

domingo, 27 de março de 2016

A FELICIDADE ESTÁ ONDE VOCÊ A COLOCA....



"Você pode ter defeitos, ser ansioso, e viver alguma vez irritado, mas não esqueça que a sua vida é a maior empresa do mundo. 
Só você pode impedir que vá em declínio.
 Muitos lhe apreciam, lhe admiram e o amam. 
Gostaria que lembrasse que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, uma estrada sem acidentes, trabalho sem cansaço, relações sem decepções. 
Ser feliz é achar a força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor na discórdia. 
Ser feliz não é só apreciar o sorriso, mas também refletir sobre a tristeza.
 Não é só celebrar os sucessos, mas aprender lições dos fracassos.
 Não é só sentir-se feliz com os aplausos, mas ser feliz no anonimato.
 Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões, períodos de crise.   
Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista para aqueles que conseguem viajar para dentro de si mesmo. Ser feliz é parar de sentir-se vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.
 É atravessar desertos fora de si, mas conseguir achar um oásis no fundo da nossa alma. É agradecer a Deus por cada manhã, pelo milagre da vida. 
Ser feliz, não é ter medo dos próprios sentimentos. 
É saber falar de si. 
É ter coragem de ouvir um "não". 
É sentir-se seguro ao receber uma crítica, mesmo que injusta. 
É beijar os filhos, mimar os pais, viver momentos poéticos com os amigos, mesmo quando nos magoam. 
Ser feliz é deixar viver a criatura que vive em cada um de nós, livre, alegre e simples.  
É ter maturidade para poder dizer: "errei".  
É ter a coragem de dizer:"perdão".
 É ter a sensibilidade para dizer: "eu preciso de você".
 É ter a capacidade de dizer: "te amo". 
Que a tua vida se torne um jardim de oportunidades para ser feliz... 
Que nas suas primaveras seja amante da alegria. 
Que nos seus invernos seja amante da sabedoria. 
E que quando errar, recomece tudo do início. 
Pois somente assim será apaixonado pela vida. 
Descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. 
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Utilizar as perdas para treinar a paciência. 
Usar os erros para esculpir a serenidade.
 Utilizar a dor para lapidar o prazer. 
Utilizar os obstáculos para abrir janelas de inteligência. 
Nunca desista...
Nunca renuncie às pessoas que lhes ama. 
Nunca renuncie à felicidade, pois a vida é um espetáculo incrível".
Papa Francisco.
Feliz Páscoa!!!
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sexta-feira, 11 de março de 2016

BAIXANDO AS ARMAS, DESARMANDO OS ESPíRITOS

foto google

Está bem difícil, neste momento, escrever ou decidir sobre o que escrever. Não achamos que seja nosso papel insistir no assunto político já tão pisado e repisado pela mídia: tem quem faça isto melhor e tudo parece um pouco fora de lugar – onde termina a realidade e começa a fantasia ou a manipulação? O que fazer, publicar uma receita de bolo? Mostrar a história da mini-saia? Também não parece certo…
O fato é que a minha admissão no curso de Educomunicação – USP, já provoca seus primeiros efeitos e deveria ser este o tema da semana, mas mudei de idéia quando li por acaso – já que está bem longe de ser um de meus preferidos – o texto do Leonardo Sakamoto, na UOl. Copio aqui e peço que nos ajudem a divulgar… acho que é o mais relevante que li nestes últimos tempos…

Se houver um cadáver nos protestos, todos serão culpados

 

Amigos silenciando amigos no WhatsApp.
Amigas excluindo amigas no Facebook.
Companheiros que marcam mensagens de velhos conhecidos como spam no e-mail.
Casais que rompem violentamente após discussões políticas e seguem para o Tinder, deixando claro em seus perfis recém-criados que não dê “match'' quem é simpatizante deste ou daquele grupo político
Pais que são chamados na escola depois que a filha armou um bullying contra a amiguinha, levando à pobre menina a tomar (mais) Rivotril, só porque ela estava vestindo vermelho/amarelo.
E, o pior: mães que se negam a passar o purê de batatas para os filhos na mesa do jantar após descobrirem que eles são a favor ou contra o impeachment
Essa sensação de que o Brasil vai explodir até este domingo (13) é preocupante, ainda mais após o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula, solicitada nesta quinta pelo Ministério Público de São Paulo, que incendiou ainda mais os ânimos de muita gente.
A vida não tá fácil, não.
Afinal, como disse aqui nesta semana, política é bom e é sensacional que as pessoas estejam vivendo, fazendo e respirando política.
Vale lembrar, contudo, que fazer política significa também estômago forte e alma tranquila, considerando que está em jogo a forma pela qual achamos que o país ou o estado devem ser conduzidos. Não deve significar ataque aos direitos ou à dignidade de pessoas que discordam de vocês. Pois, pode até parecer que não, mas estamos todos no mesmo barco.
Manter a civilidade nos protestos é fundamental. Até porque a vida continua depois que tudo isso passar.
Acredito que meu ponto de vista está correto, mas isso não faz dele uma Verdade Absoluta – até porque verdades absolutas não existem, nem mesmo esta aqui (olha o nó na cabeça de quem faltou nas aulas de filosofia do ensino médio). Uma outra pessoa pode defender que a forma mais correta de acabar com a fome, a violência, as guerras, a injustiça, a corrupção seja por outro caminho.
Eu sei que é duro acreditar nisso neste momento.
Somos seres complexos com múltiplos níveis de relações. Tenho colegas conservadores politicamente, mas liberais em comportamento que guardo em muito mais estima do que colegas progressistas politicamente, mas com um discurso e prática comportamentais bisonhos. Pois não é possível defender a liberdade dos povos e transbordar machismo, tratando a esposa como uma serva em casa, não é?
É mais fácil pensar de forma binária, preto no branco, os de lá, os de cá. Mas, dessa forma, a vida vai ficando mais pobre. Sem o direito ao convívio diário com aqueles que pensam de forma diferente, estancamos em nossas posições, paramos de evoluir como humanidade. Do outro lado sempre estará um monstro e do lado de cá os santos. Isso sem contar a impossibilidade de apreciar tudo o que o outro tem de melhor – do ombro amigo à conversa inflamada em uma mesa de bar.
Nunca pensei que seria necessário pedir isso em um texto, mas – por favor – tenham calma neste momento.
Não gritem, conversem.
Não xinguem, dialoguem.
Não agridam, troquem ideias.
Não ataquem, reflitam.
Tenho sido criticado à exaustão por gente de todos os lados por repetir, feito papagaio com cãibra, para deixarmos o ódio e a intolerância de lado.
O que me desespera é a possibilidade de um cadáver surgir em meio a tudo isso. Se alguém for assassinado em um desses protestos pró ou anti governo, a culpa não será apenas de quem desferiu o golpe fatal. Mas de todos os atores envolvidos, dos mais diferentes matizes ideológicos que, através de sua ignorância, arrogância e prepotência, conseguiram transformar cidadãos em maníacos.
Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Ministério Público, a imprensa, entre outras instituições, têm a obrigação, em uma democracia, de garantir que a política seja a principal arena de mediação e resolução dos conflitos. E não esvazia-la a ponto das disputas se tornarem guerras fratricidas nas ruas.
Humildemente, sugiro que busquem a tolerância no diálogo até o dia 13. E, depois, nos dias que se seguirem. Mesmo que isso pareça difícil de ser alcançado.
Esse país é de todo mundo. E deveria continuar assim.

 http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/03/10/se-houver-um-cadaver-nos-protestos-todos-serao-culpados/

Sobre Leonardo Sakamoto
É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e o desrespeito aos direitos humanos no Brasil. Professor de Jornalismo na PUC-SP e pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York, é diretor da ONG Repórter Brasil e conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão.

Parabéns pelo texto, Leonardo. De coração.